Os caminhos e desafios da
produção agroecológica está em debate em Várzea Alegre, no XIII Encontro dos
Produtores Orgânicos do Nordeste. A programação começou na segunda-feira
passada e termina hoje. Cerca de 150 produtores, estudantes e técnicos
agrícolas do Ceará, Pernambuco, Piauí, Bahia e Paraíba participam do evento que
oferece debates, palestras, oficinas e visitas às áreas de produção de
agricultura familiar orgânica.
A agricultura orgânica é um
tema muito discutido, mas é pouco praticado no sertão do Ceará. Aqui no Centro-Sul,
há somente cerca de 30 pequenos produtores com experimentos em agroecologia.
"É um trabalho difícil, que necessita de orientação técnica e de
paciência, paixão pela saúde própria e pela defesa do meio ambiente",
justificou o coordenador do evento e presidente do Conselho Municipal do Meio
Ambiente (Comdema), José Marcílio dos Anjos Feitosa.
O engenheiro agrônomo e
mestrando em Desenvolvimento Regional Sustentável pela Universidade Regional do
Cariri (Urca), Paulo Ferreira Maciel, aponta dois fatores básicos que
contribuem para a reduzida adesão ao sistema de produção agroecológica. "A
falta de política pública para incentivar o produtor rural e de assistência
técnica". Maciel observa que, no dia a dia, os técnicos em extensão rural
que visitam os produtores da agricultura familiar não são especializados e não
têm domínio sobre o sistema de agroecologia. "Querem fazer as duas coisas,
aplicar modelos da agricultura tradicional e do sistema orgânico e isso não
funciona", disse. "O que nós observamos é a falta de acompanhamento
técnico".
Em um ponto, os técnicos e
agentes que promovem a agroecologia concordam: o mercado é amplamente
favorável. "O produtor que levar frutíferas e hortaliças orgânicas para a
feira, vende com facilidade. "Quem vai deixar de comprar tomate, verdura,
legumes e frutas produzidas sem agrotóxico para levar para casa frutos com
resíduos de veneno?", indagou.
No Centro-Sul, a maior
concentração de experimentos de agricultura orgânica ocorre em Várzea Alegre.
Na localidade de São Vicente, no primeiro domingo de cada mês é realizada feira
de agricultura agroecológica que reúne cerca de 20 produtores. As barracas são
armadas próximas à parede do Açude Olho D´Água. No ano passado, houve queda da
produção por causa da seca que se estende neste mês de janeiro. "Alguns
produzem com irrigação, mas a seca afeta porque os poços secam e traz outras
dificuldades", observa o secretário de Agricultura do município, André
Fiúza.
Após participar da abertura
do evento, Fiúza disse que o município dispõe de projeto para incentivar e
apoiar a agricultura agroecológica. "A nossa meta é ampliar o número de
produtores orgânicos, porque há mercado e o ganho é maior em relação à
agricultura convencional", explicou. "Vamos contratar técnicos com
experiência nesse sistema para acompanhar e assistir os agricultores".
O gerente regional da Bacia
do Rio Salgado da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), Iarley
Brito, frisou que a produção de agricultora orgânica contribui para o uso
racional da água. "É uma prática limpa, de uso de boa qualidade da água de
forma racional, sem desperdício", disse. "Há também o aspecto da
economia solidária, de outros valores que vão além da busca exclusiva do
lucro".
Na localidade de São
Vicente, o agricultor Raimundo Nonato dos Santos Filho tenta há cinco anos
produzir hortaliças e fruteiras de forma ecológica em uma área denominada
Quintal Produtivo. Apesar de estar próximo ao açude Olho D´Água não dispõe de
sistema de irrigação. "Faltam condições financeiras para comprar motor e
bomba", explicou. "A produção é ainda é pouca e a maior parte depende
da chuva".
Pragas
Além da falta de irrigação,
Nonato dos Santos enfrenta ataque de pragas no cultivo de hortaliças. "A
gente precisa de orientação de um técnico especializado para produzir mais e
melhor", disse. No passado recente, o produtor era caçador e produzia de
forma convencional. "Participei de um encontro sobre agroecologia e mudei
de ideia. Vi que o que eu fazia era errado". A produção de banana, milho,
hortaliças e macaxeira é comercializada na própria comunidade.
O produtor Severino Batista,
da cidade de São Joaquim do Monte, em Pernambuco, trouxe a experiência do
cultivo de laranja e limão e a produção de mel de abelha de forma orgânica.
"É uma experiência que deu certo". Para este ano, o agricultor espera
obter renda de R$ 20 mil. A área de produção é de 4ha e dispõe de 100 colmeias.
Mais informações:
Secretaria do Meio Ambiente
e de Agricultura de Várzea Alegre
Avenida Antonio Alves Costa,
S/N
Telefone: (88) 3541. 1337
Fonte: Diário do Nordeste

0 comentários:
Postar um comentário
Comentário ofensivo será excluído